quinta-feira, 2 de novembro de 2017

E O DÍZIMO? E AS OFERTAS? QUAL VALE MAIS PARA DEUS?

   Dia de Finados em que nos lembramos de quem já partiu deste mundo, convida-nos à reflexão do que mais agrada a Deus, se o dízimo (a 10ª parte de tudo que ganhamos) ou as ofertas (sem percentual, o seu coração é quem determina).
       Importante ressaltar que nas passagens bíblicas que são transcritas abaixo o termo "dízimo" somente é visto no Antigo Testamento (a Torah Judaica); nas passagens do Novo Testamento - onde o Filho de Deus nos ensina - o termo é substituído por "oferta", ou pelo verbo "dar". Prestem atenção na expressão "Deus ama a quem dá com alegria" e na observação de Jesus aos discípulos no caso da viúva que, dando duas moedas, deu mais que todos de grandes quantias.
     Sem esquecer do conselho que Jesus deu ao jovem rico que lhe perguntara o que devia fazer para salvar-se: "Vai, vende todos os teus bens e distribua-os aos pobres". Cristo não nos deixa dúvidas. O que mais vale é a caridade aos pobres, às viúvas, ou seja, aos mais carentes e necessitados. "Há mais alegria em dar do que em receber". Amém, caros irmãos e irmãs?

"Pode um homem roubar de Deus? Contudo vocês estão me roubando. E ainda perguntam: 'Como é que te roubamos?' Nos dízimos e nas ofertas. Vocês estão debaixo de grande maldição porque estão me roubando; a nação toda está me roubando. Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me à prova", diz o Senhor dos Exércitos, "e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derra­mar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guardá-las. 
Malaquias 3:8-10

Há quem dê generosamente,
e vê aumentar suas riquezas;
outros retêm o que deveriam dar,
e caem na pobreza. 
Provérbios 11:24

"Todos os dízimos da terra - seja dos cereais, seja das frutas - pertencem ao Senhor; são consagrados ao Senhor. 
Levítico 27:30

Honre o Senhor
com todos os seus recursos
e com os primeiros frutos
de todas as suas plantações; os seus celeiros
ficarão plenamente cheios,
e os seus barris transbordarão de vinho. 
Provérbios 3:9-10

"Separem o dízimo de tudo o que a terra produzir anualmente. 
Deuteronômio 14:22

Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria. 
2 Coríntios 9:7

Jesus sentou-se em frente do lugar onde eram colocadas as contribuições e observava a multidão colocando o dinheiro nas caixas de ofertas. Muitos ricos lançavam ali grandes quantias. Então, uma viúva pobre chegou-se e colocou duas pequeninas moedas de cobre, de muito pouco valor. Chamando a si os seus discípulos, Jesus declarou: "Afirmo que esta viúva pobre colocou na caixa de ofertas mais do que todos os outros. Todos deram do que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver". 
Marcos 12:41-44

Lembrem-se: aquele que semeia pouco também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura também colherá fartamente. Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria. 
2 Coríntios 9:6-7

Deem e será dado a vocês: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem também será usada para medir vocês". 
Lucas 6:38

Em tudo o que fiz, mostrei a vocês que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: 'Há maior felicidade em dar do que em receber' ". 
Atos dos Apóstolos 20:35

Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês. 
Mateus 6:33

Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. 
Mateus 6:21

Trechos captados no site


O DÍZIMO É NO A.T. ATRELADO À PRODUÇÃO DA TERRA (CEREAIS E FRUTAS). JÁ NO NOVO TESTAMENTO A OFERTA ESTÁ RELACIONADA À FÉ E À CARIDADE.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

NA MONTANHA E NO VALE

   "A vida é tranquila quando se está no alto da montanha...
   E se consegue paz de espírito, como nunca se teve...
    Mas as coisas mudam quando você está embaixo, no vale...
    Jamais perca a fé, pois nunca está sozinho...

    Porque o Deus da montanha, é o mesmo do vale...
    Quando as coisas não vão bem, Ele as endireitará...
  O Deus dos tempos bons é o mesmo dos tempos ruins...
     O Deus do dia é o mesmo Deus da noite...
    Pela fé nós subimos a montanha. A fé vem fácil quando a vida está ótima...
    Porém, na profundeza dos vales onde há provação e tentações...
    É exatamente onde a sua fé é colocada à prova...


    O nosso verdadeiro Deus é o mesmo da montanha e do vale...
      Cristo é o mesmo: Ontem, hoje e sempre!

O Deus na montanha (Lynda Randle) Em inglês o título é "The God on the mountain" cuja tradução está no próprio texto da postagem (em azul).

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

SOU MENINO, SOU MENINA!

    Encontrei no twitter um vídeo de lavar a alma daqueles que combatem o bom combate, como escreve o apóstolo judeu Paulo de Tarso, outrora chamado de Saulo.
     É que os filhos das trevas, aqueles que seguem as trevas e se recusam a seguir a Luz de Cristo, sob a influência da serpente primitiva, o pai da mentira, andam por aí espalhando uma tal "ideologia de gênero" em que (alegam) o corpo nasce homem (com próstata e testículos)  ou mulher (com útero e ovário) - porém, segundo eles, a pessoa pode "escolher" o que deseja ser vida afora!
      Ora, não é isso querer desafiar o Criador??? Não é essa uma doutrina diabólica???



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

PELOS SINAIS NÃO HÁ MAIS DÚVIDAS

    Vivemos tempos assustadores. Satanás está solto no mundo, já foi-lhe concedido o pequeno tempo que lhe resta para destruir almas. É uma pena! Quantas vidas serão perdidas! Santo Deus, Tende piedade de nós!
       Começam contra a família, o mais sagrado patrimônio da humanidade. Primeiramente, tentaram unificar a figura dos pais. no pior sentido possível, contrariando a criação divina, colocando na cabeça da criança que ela pode viver feliz tendo dois pais, dois homens, ou, duas mães, duas mulheres, com um deles ou delas fazendo o papel de macho e o outro ou a outra fazendo o papel de fêmea. É a demoníaca filosofia de gênero! Agora, em exposições ditas de "arte", induzem inocentes crianças em pedofilia velada!
COVARDES PEDÓFILOS, TRAVESTIDOS DE "ARTISTAS" CORROMPEM ATÉ CRIANÇAS SEM NENHUM CONSTRANGIMENTO!

    Somente aos escolhidos é dada a graça de conhecer o tempo do fim. Coragem, irmãos e irmãs! O Senhor nunca deixa o justo no abandono! Chegará o tempo, está no início das dores, onde é preciso muita renúncia e persistência para chegar até o fim. E quem perseverar até o fim será salvo!

CANALHAS ENGANADORES, PEDÓFILOS MALDITOS, VOCÊS TERÃO A SUA PAGA! O CASTIGO IGUAL A SODOMA E GOMORRA CHEGARÁ ATÉ VOCÊS!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

AMAZING GRACE (GRAÇA MARAVILHOSA)

    A música não é nova mas é extremamente bonita e comovente. E o ensinamento dela emanante é o mesmo ontem, hoje e sempre.
      Somos miseráveis enquanto ainda não libertos por Cristo. Mas seremos livres e eternamente recompensados pela Graça do Senhor  de Israel. Como diz Paulo na Carta aos Romanos, capítulo 5, versículo 20: "Onde abundou o pecado; superabundou a graça".

 

domingo, 3 de setembro de 2017

JESUS COBRA COERÊNCIA COM A CRUZ

No Evangelho deste domingo, a Igreja dá continuidade à meditação sobre a profissão de Fé de São Pedro, agora salientando as palavras duríssimas de Jesus ao príncipe dos Apóstolos: "Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!"

Como é que São Pedro pode ser elogiado por sua fé para logo em seguida sofrer a mais dura reprimenda que Jesus já fez a alguém? É o que Padre Paulo Ricardo responde nesta homilia, explicando a necessidade da cruz para nosso crescimento na caridade.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 16, 21-27)

Naquele tempo, Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia.

Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: "Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!"

Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: "Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!"

Então Jesus disse aos discípulos: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.

De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta".

No Evangelho de domingo passado, Jesus elogia a fé sobrenatural de São Pedro e, como sinal de aprovação, concede-lhe as chaves do Reino dos Céus para que conduza o rebanho de Deus à porta da salvação. Neste domingo, porém, a Igreja recorda o amor desordenado do mesmíssimo discípulo, que, apegado às coisas desta vida, tenta dissuadir Jesus do cumprimento de sua paixão e morte no calvário, o que lhe rende, em contraste com o elogio que ouvira anteriormente, as palavras mais duras de todo o discurso de Cristo. "Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!", declara o Senhor a São Pedro.

Esse episódio da vida do primeiro Papa da Igreja ilustra bem a duplicidade de intenção que pode existir dentro da alma de um católico: por um lado, professa uma fé reta, enraizada na Tradição, nas Sagradas Escrituras e no Magistério; por outro, há nele uma afeição ainda demasiada às criaturas, pelo que não consegue dar passos generosos a caminho do sacrifício por amor a Deus. O amor revela-se imaturo porque não está formado pela santidade, ou seja, pela disposição de tudo vender e abandonar para seguir a Cristo e, junto com Ele, abraçar a cruz da redenção. Neste caso, o católico torna-se como São Pedro antes de sua grande conversão: na fé, pedra de edificação da Igreja, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão; no amor, porém, pedra de tropeço, porque não ama a partir do coração de Deus, mas de maneira mundana.

Como deve ser, portanto, o amor de um católico? Essa é a pergunta fundamental do Evangelho deste domingo.

Em primeiro lugar, Jesus esclarece que o amor nasce de uma atitude de renúncia concreta. O católico precisa colocar-se atrás de Jesus, isto é, renunciar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lO, a fim de alcançar a verdadeira salvação, pois aquele "que quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la."

Pedro hesitou diante do anúncio da Paixão porque ainda vivia de acordo com a lei da carne: "Foge da dor, busca o prazer". Trata-se da lei do mundo, da lei dos animais. Para um charreteiro guiar um cavalo, por exemplo, ele pode usar tanto a força do chicote como a sedução do alimento: este move o animal pelo prazer; aquele, pelo medo da dor. Mas em nenhum dos casos o cavalo será movido por amor ao seu dono. De igual modo, também os cristãos agem como animais, guiados pelas paixões, quando decidem não sofrer, quando decidem fugir das cruzes do dia a dia. A estes cristãos, Deus reserva as mesmas palavras de Cristo a São Pedro: "Seus pensamentos não são os meus pensamentos" (Is 55, 8).

O cristianismo é, sim, a religião do amor, mas de um amor que brota das chagas de Cristo na cruz. É no calvário que se encontra a maior lição de generosidade e caridade fraterna; por detrás das feridas de Jesus, havia um coração ardente em chamas que transformava toda aquela dor em alegria pela salvação das almas. Essas mesmas chamas devem incendiar o coração dos cristãos, a fim de que repitam o mesmo discurso do profeta Jeremias na primeira leitura deste domingo: "Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo" (Jr 20, 9), e sigam o conselho de São Paulo aos romanos: "Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito" (12, 2).

A meditação frequente da paixão de Cristo é um meio eficaz de se adquirir uma gratidão sobrenatural pelo amor de Deus como também a disposição para abraçar a cruz. As famílias, que se acham tão feridas por acusações constantes, deveriam ser as primeiras a imitar o exemplo do crucificado. Se pai, mãe e filhos começarem a meditar juntos sobre o sacrifício de Jesus, o próprio Senhor transformá-los-á, por meio dos sacramentos, em verdadeiros sacrários de santidade. Isso não é idealismo, mas promessa divina.

As contrariedades do dia a dia são ocasiões constantes para o exercício do amor a Deus. Nas famílias, por conseguinte, o bom católico pode tomar a cruz da paciência, da aceitação das pequenas injustiças domésticas, buscando perdoar em vez de vingar-se. As pessoas que não se dispõem a isso, porém, estão fadadas a terminarem "cheias de razão", mas sem qualquer família. Ora, a luz de Cristo deve irradiar no coração cristão a partir do amor ao próximo, da tomada generosa da cruz por meio de uma mudança completa de mentalidade, que não se conforma com as leis do mundo, mas somente com as leis de Deus.
A NADA MAIS DAR VALOR, SOMENTE A CRISTO!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

CONVERSÃO PARA CRISTO SEMPRE É BOM

| Categoria: Testemunhos

Jovem agnóstico se converte à Igreja Católica através da arte sacra

"Depois de copiar as pinturas de Rafael e de Fra Angelico, descobri que o que fazia bonitas aquelas obras não era simplesmente a técnica, mas a espiritualidade por trás delas."

O Papa Bento XVI ensinou, certa feita, que "uma obra de arte pode abrir os olhos da mente e do coração, impelindo-nos rumo ao alto". Foi justamente o que aconteceu com Osamu Tanimoto. Filho de um engenheiro elétrico e de uma dona de casa, esse artista japonês descobriu a Fé enquanto estudava as obras clássicas do Renascimento, em Florença – e se tornou parte de um movimento global de artistas que estão redescobrindo a Igreja Católica.
Confira a seguir trechos de uma entrevista exclusiva concedida por esse jovem pintor ao site Regina Magazine.

O primeiro contato com a arte

Osamu, conte-nos sobre a sua vida no Japão e sobre a relação da sua família com as artes.
Fui criado em Tóquio, o caçula de três irmãos. Meu pai era professor de engenharia elétrica e minha mãe, dona de casa. Meu irmão mais velho é consultor e o outro trabalha em um banco. Minha família não tinha nada a ver com artes. Meu pai, principalmente, não entendia por que eu perdia meu tempo com isso... Era a impressão que ele tinha, até um dia ele perceber que as artes valiam a pena. Não posso culpá-lo por nada, porque toda a arte contemporânea confunde as pessoas e faz com que elas questionem se, afinal, os artistas não são apenas pessoas "fora da caixa" sem qualquer habilidade ou virtude. Eles não parecem pessoas à procura da verdade e da beleza.
Ainda que desde jovem eu fosse sempre entusiasmado com a arte, estudei educação na Universidade de Waseda, em Tóquio, para fazer a vontade do meu pai, que não queria que eu seguisse a carreira de artista.
Depois, mudei-me para a Temple University, para tentar estudar fora e seguir seriamente a profissão artística. Lá, encontrei meu primeiro professor de pintura a longo prazo, Walderedo, que retratou as florestas amazônicas e os americanos nativos. Comecei a reproduzir obras-primas, com as mesmas técnicas que eram utilizadas antigamente, como o afresco, a têmpera de ovo, a ponta de prata etc. No mesmo ano, entrei na nova Academia Russa de Arte, em Florença, para estudar desenho, pintura e composição. Fui treinado na tradição acadêmica russa e graduei-me em 2014 com o meu trabalho de conclusão The Return of the Prodigal Son ("O Retorno do Filho Pródigo"). Hoje, trabalho como professor na Escola de Arte Sacra, desde 2013.

O primeiro contato com a Fé

Vim a Florença atraído pela harmonia das obras renascentistas. Depois de copiar as pinturas de Rafael e de Fra Angelico, descobri que o que fazia bonitas aquelas obras não era simplesmente a técnica, mas a espiritualidade por trás delas.
Aqui, tive a graça de conhecer o escultor irlandês Dony MacManus, que depois se tornou meu padrinho. Foi ele quem me introduziu na história de Jesus Cristo, o homem que era Deus – não como um pregador, mas como um amigo. Muitas coisas que Jesus dizia eram surpreendentes e controversas, e o que a Igreja ensinava me parecia ir contra a corrente. Mas, do fundo do meu coração, eu via que essas coisas estavam certas.

A que você se refere?

Refiro-me a como a Igreja enxerga a relação entre o homem e a mulher no contexto do matrimônio, a como a razão e a fé dão as mãos uma à outra e caminham juntas. O que mais me impressionou e inquietou foi o mistério da Ressurreição. O fato de que qualquer sofrimento valeria a pena e, levado com fé, não deveria apagar a minha esperança, virou todo o meu mundo de ponta cabeça.
No Japão, eu era completamente alheio ao cristianismo. A religião cristã não é algo grande em meu país e, além disso, a sociedade é muito secularizada. Em Tóquio, por exemplo, as pessoas simplesmente nunca ouviram falar de Jesus Cristo. De alguma forma, isso me ajudou, porque, pelo menos, eu não tinha nada contra a Igreja quando escolhi (ou fui escolhido para) ser batizado.

Como a sua família reagiu à sua conversão?

Embora meus familiares não sejam religiosos – provavelmente têm alguma influência cultural do budismo e do xintoísmo –, eles respeitaram bem a minha escolha de conversão. O fato de minha tia também ser uma convertida pode tê-los ajudado a entender a minha decisão. Hoje, sou feliz que eles vejam e se alegrem com minhas pinturas – especialmente "O Retorno do Filho Pródigo" –, ainda que não sejam cristãos.

A arte sacra como caminho de conversão

"The Return of the Prodigal Son", óleo sobre tela.

Para você, então, a arte foi um caminho para entender a doutrina cristã?

Sim. Todos aqueles corpos representados na arte sacra me ajudaram a entender o conceito de "Encarnação". Os corpos são templos do Espírito Santo (cf. 1 Cor 6, 19) e o mais belo e nobre projeto criado por Deus.
A Capela Sistina, de Michelangelo, só faz sentido porque celebra a beleza do corpo humano no seu contexto espiritual. É claro que, depois de minha conversão oficial, cinco anos atrás, minha conversão ainda continua. Agora, eu crio obras de arte imitando basicamente a Deus, e isso me faz amadurecer na fé, porque, quando eu pinto um tema religioso, eu rezo mais. Para mim, a virtuosidade na arte e na vida crescem lado a lado.
A arte sacra foi a minha porta de entrada nos mistérios da fé. Ela tocou o meu coração e elevou a minha alma com a sua harmonia. Por exemplo, a "Anunciação", de Pontormo, o modo como o anjo se aproxima, e a doçura da expressão, da postura e das cores de Maria... Dentro dessa linguagem natural das obras de arte, abre-se todo um mundo sobrenatural. Essas pinturas e esculturas, mais do que científicas, são espirituais.
Posso dizer que eu era como o analfabeto na Idade Média – geralmente, eu via as imagens do Evangelho primeiro e só depois lia a passagem e entendia a história. Provavelmente, por entender as coisas visualmente, a arte cristã desempenhou um papel maior em ajudar-me a conhecer os Evangelhos.

A arte sacra como profissão

Você diz que a sua vocação como artista é "traduzir o Evangelho para a arte de hoje". Quais cenas da Bíblia você tem interesse em pintar?

Quero pintar quantas eu conseguir, uma por uma. A ressurreição da filha de Jairo é um episódio importante para mim porque também é uma história de conversão. Jesus a ressuscitou dos mortos. Ele fez o milagre. Essa é exatamente a experiência que eu tive quando me converti e é essa a beleza que eu quero comunicar. Também há outras realidades envolvidas nessa cena, como a surpresa dos discípulos e a alegria dos seus pais...

Você parece ter gastado um bom tempo pensando nisso...

Para mim, também é importante comunicar a extraordinariedade do evento. É claro, os discípulos tinham confiado no que Jesus estava dizendo e fazendo, mas a reação deles deve ter sido extremamente humana, simples e espontânea. A alegria dos pais da menina deve ter sido o máximo. Vale a pena visualizar especialmente esses aspectos emocionais em torno de Jesus. Eu espero que eles falem ao homem de hoje, aos que querem "ver para crer", como o Apóstolo Tomé quis ver Jesus e tocá-Lo, antes de acreditar que a Sua ressurreição era verdadeira.

A vida como católico em Florença

Como você leva a sua vida hoje, sendo um católico expatriado em Florença?

Estou vivendo em Florença há seis anos e meio. A melhor parte é que há tantas igrejas na cidade, e tantas delas bonitas, que eu posso escolher a qual Missa ir e no horário que quiser.
Ainda que alguns florentinos pratiquem a fé e outros não, a maioria está culturalmente familiarizada com os valores da doutrina da Igreja no cotidiano, como a caridade, a hospitalidade etc. As pessoas estão acostumadas a compartilhar as coisas e isso é bonito. Ao mesmo tempo, a sociedade de Florença é construída em uma ordem hierárquica bem rígida e há uma mentalidade legalista fortemente presente. Apesar disso, de alguma forma, aqui eu me sinto em casa, por causa da minha conversão à Fé.
Toda vez que eu vejo o afresco de Vasari na cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore, eu me lembro do meu batismo. Sei que, na prática, essa não é a minha casa, sou um estrangeiro e sempre serei. Eu me pergunto, porém, onde era a casa de Jesus. Nazaré ou a casa do Seu Pai? Certamente, também lá é o meu lugar.

Fonte: Regina | Tradução e adaptação: Equipe CNP